"Amados irmãos!
Este texto nos dá uma pequena visão
sobre nosso corpo fluídico (corpo astral,
perispírito), herança de nossas várias
encarnações que pode ser mudada
conforme a nossa sintonia...
E na umbanda não é diferente...
"Leiam, analisem, e formem sua opinião!"
As entidades na umbanda tem como função
trazer as mensagens, a vontade e a força
dos Orixás, e assim de Deus, e são os
espíritos que chamamos de guias e
protetores. Isto quer dizer que estes
espíritos deverão possuir uma vestimenta,
uma roupagem fluídica para que possam
se manifestar em terreiros.
Por ser uma religião espiritualista e mediúnica,
seus ritos são sempre conduzidos diretamente
ou indiretamente por espíritos desencarnados.
Mas na Umbanda os espíritos mentores,
chamados de guias, sempre deverão pertencer
a uma falange, ou seja a um agrupamento
de entidades que escolhem uma
determinada forma para se apresentarem.
Essa roupagem fluídica e simbólica é
fundamental na umbanda. Um espírito
para se manifestar, enquanto guia, deverá
abrir mão de sua individualidade, ou seja,
abrir mão de seu nome do seu EU,
de sua identidade enquanto um ser para
ser um falangeiro.
Dizemos que a Umbanda é fundamentada
em um tripé essencial, que são as formas
de apresentação (essenciais), sem as quais
não se pode falar em Umbanda, e isso é unânime.
Pretos-Velhos, Caboclos e Crianças formam
o essencial da umbanda. Significando o
desenvolvimento da vida, ou seja o início
da vida, a pureza e a simplicidade,
a descoberta (infância = crianças), o
amadurecimento a virilidade o destemor,
a vontade e o arrojo, a força (adulto = caboclo)
e o amadurecimento, a sabedoria da
vivência, a humildade de quem já viveu
muito, a experiência e o conhecer das
outras fases (velhice = pretos-velhos).
As formas de apresentação significam a nossa
vida, e dão conta de todos os problemas
de nossas existências. Isso sem falar nos
Exus e Pombagiras que são do reino da
quimbanda que completam o que podemos
chamar de formas de manifestação
primordiais e essenciais de qualquer
terreiro de umbanda.
Por vários motivos com o passar do
tempo outras formas de apresentação
foram se formando na Umbanda,
são o povo do Oriente, os baianos,
os boiadeiros, os ciganos e os marinheiros.
Estas formas de apresentação, muitas
vezes chamadas de povos auxiliares,
ou formas auxiliares de apresentação, têm
funções e missões distintas, mas sempre
subordinadas ao tripé essencial
Triângulo das Formas
Formas de apresentação
Crianças
Em muitos locais se falam: linha de caboclos,
linha de pretos-velhos, linha do povo d'água,
linha do oriente, e assim por diante.
Acreditamos é que há uma confusão
sobre formas de apresentação, ou seja,
como as entidades vão se manifestar,
que roupagem fluídica se apresentarão
e as linhas de umbanda.
Por linhas entendemos as qualidades,
a força de trabalho, as especialidades
de trabalhos dos Orixás. Por formas de
apresentação entendemos a maneira
pela qual os espíritos irão se manifestar.
Muitos pensam nas crianças da Umbanda
como se fossem espíritos que morreram
quando ainda eram crianças. Todavia isto
não é verdade, pois mesmo que tivessem
desencarnado em sua última jornada
quando ainda eram crianças, não podemos
esquecer que esses espíritos já encarnaram
outras vezes. A simbologia de serem
crianças, e assim chegarem aos terreiros
é pela simplicidade e pureza de toda a
criança. Não é a toa que Jesus Cristo em
diversos momentos se dirige as criancinhas
e afirma que só entrará no Reino dos Céus
aquele que se assemelhar a uma criança
. (Mateus, capítulo 18, 1 a 5).
Isto nos quer dizer que pelo fato de se
apresentarem como crianças, não quer
dizer que não sejam espíritos de muito
conhecimento, sabedoria, ou mesmo
que seja crianças.
A inocência e a pureza que nos trazem as
crianças são a razão e o motivo por que
estes espíritos assim se apresentem.
E esta é a razão pela qual as crianças
da Umbanda acionam e conduzem os
espíritos elementais e as energias elementares.
Inclusive esta é uma segurança, pois só
poderemos acionar as energias da
natureza na Umbanda pelas crianças e
assim as energias nunca poderão ser
utilizadas para outra coisa senão para
o bem, para o amor e a caridade.
O uso incorreto, ou para o mal, se faz
de outra forma, com outros acionadores,
e assim não faz parte da Umbanda, e isto
é a prova cabal, final para o que sempre
afirmamos na Umbanda só existe o
amor e a caridade.
Pretos Velhos
Os "grandes administradores da Umbanda",
são entidades que representam a
ancestralidade, a sabedoria e a humildade.
Entidades que são a própria manifestação
da experiência, daquele que por tudo já
passou e neste momento vem trazer esta
sabedoria com muito amor e tolerância.
O importante é que, quando baixam,
fazem-no de forma homogênea, como
Pretos-Velhos, velando suas vestimentas
iniciáticas do passado. Muitos insistem
em querer ligá-los aos escravos que
estiveram aqui no Brasil ou em outras plagas.
Embora muitos desses Seres Espirituais
tenham evoluído na escala espiritual através
da renúncia e do esquecimento das atrocidades
contra eles cometidas pelos brancos
colonizadores, a maioria deles assim não fez
e até hoje engrossam as colunas do
submundo astral, onde ainda guardam em
si o sentimento de ódio e vingança racial.
Esses Seres, os antigos escravos são na
verdade utilizados pelos verdadeiros
Magos-Negros, que sabem evocá-los e
aproveitar os sentimentos de vingança e
ódio que os deixam cegos, usando-os para
as mais baixas tarefas, todas é claro no
prejuízo moral, físico e espiritual daqueles
que eles desejam atingir. Muitos desses
ditos escravos, a par de tudo isso, se redimiram,
se regeneraram e atuam na causa das
falanges dos Pretos-Velhos como intermediários
entre os Guardiães da Luz para as sombras
e das sombras para as trevas. São, quando
nessa função, extremamente eficientes,
formando verdadeiras blitzen contra o
submundo astral encarnado e desencarnado.
Além disso, muito ajudam o EXU GUARDIÃO
a desempenhar suas funções, mesmo
a de manter higienizado o campo astral do
médium realmente atuante e que cumpre
funções sérias dentro do
Movimento Umbandista.
Caboclos
São espíritos com as roupagens fluídicas
de índios, que lidam com os aspectos
positivos dos orixás. Os Caboclos,
com a vestimenta perispiritual de índios,
são da Linha de Oxossi, embora atuem
na vibração de qualquer dos Orixás, é
a sua vibratória, identificável nos
pontos riscados.
Caboclos Boiadeiros
Para algumas correntes de pensamento
umbandista, esses espíritos já foram Exus
em uma transição de seus graus evolutivos,
hoje se manifestam como caboclos
boiadeiros. Essa é a interpretação mais
aceitável, mas muitos desses caboclos
boiadeiros nunca foram exus e sim atuam
nas linhas cósmicas dos sagrados orixás
e são regidos por Ogum e por Iansã e seus
campos de ação são os caminhos (Ogum)
e o tempo ou as campinas (Iansã).
São espíritos hiperativos que atuam como
refreadores do baixo astral e são aguerridos,
demandadores e rigorosos quando tratam
com espíritos trevosos. O símbolo dos
boiadeiros é o laço e o chicote, que são
suas armas espirituais e são verdadeiros
mistérios, tal como são as espadas, as flechas
e outras "armas" usadas pelos espíritos que
atuam como refreadores das investidas das
hostes sombrias formadas por espíritos do
baixo astral. Eles atuam nas sete linhas e
umbanda. São descritos como Caboclos
da Lei que atuam no Tempo ou Caboclos
do Tempo que atuam na irradiação da Lei.
Caboclos Baianos
Tudo nos leva a crer que estes espíritos
tenham sido cultuadores dos orixás quando
viveram no plano material. Temos espíritos
"baianos" trabalhando em todas as irradiações
e uns se apresentam como baianos de Oxossi,
outros de Xangô, Iansã, etc., demonstrando
que atuam nas sete linhas ou estão espalhados
por todas elas. Pouco foi revelado sobre
como surgem as correntes espirituais, mas
resumindo temos:
Um espírito guia, vai arregimentando
espíritos e vai "assentando-os" e
dando-lhes a oportunidade de trabalhar
sob seu comando ou liderança.
Com isto explicado, entendam que se um
espírito missionário iniciou a corrente dos
"baianos", é porque na Terra ele havia sido
um babalorixá baiano e continuou a sê-lo
no plano espiritual, iniciando um dos
mistérios da religião umbandista, pois só
um mistério agrega sob sua égide e sua
irradiação, tantos espíritos, com muitos
deles só plasmando uma vestimenta baiana
e adotando um modo de comunicação
peculiar e bem caracterizadora da linha a
que pertence. São espíritos alegres,
brincalhões, descontraídos e "chegados"
a trabalhos de "desmanche", de kimbanda
e de magia negra, que parecem dominar
com facilidade e aos quais estão familiarizados.
Caboclos Marinheiros
São espíritos alegres e cordiais que gostam
de imitar os marujos nos tombadilhos dos
navios em dias de tempestade. Na verdade,
são seus magnetismos aquáticos que lhes dão
a impressão de que o solo está se movendo
sob seus pés. Fato este que os obriga a se
locomoverem para a frente e para trás, tal
como fazem as sereias quando incorporam
em suas médiuns.
Os marinheiros podem ser espíritos de
antigos piratas, marujos, guardas-marinhos,
pescadores e capitães do mar, como pode
ser apenas uma vestimenta fluídica assumida
por espíritos inseridos no trabalho de
Umbanda e que tenha afinidade com os
elementos do mar. São Caboclos dirigidos
pelos Guias e Protetores da Linha de Yemanjá.
São ótimos para casos de doenças, para
cortar demandas e para descarregar os
locais de trabalhos espirituais.
Ciganos
É uma linha muito antiga dentro da
Umbanda, mas pouco estudada e divulgada.
É uma linha especial, pois tem seus rituais
e fundamentos adaptados à Umbanda, já
que eles remontam a um passado multi-milenar
e estão ligados ao próprio povo cigano,
cuja origem parece ser do antigo Egito,
da Europa Central ou da Índia. Seus trabalhos
estão voltados para as necessidades mais
terrenas dos consulentes. É uma linha
espiritual em expansão e está ligada à linha
de Exu/Pomba-gira, como o Senhor Exu
Cigano e a Senhora Pomba-gira Cigana.
Trabalham na irradiação dos orixás, mas
louvam Santa Sarah Kali, padroeira deste povo.
Referências
■Sugestão de livro: O Arqueômetro -
Autor Saint-Yves
■Pemba: a grafia sagrada dos orixás,
Autor: Mestre Itaoman, Editora :
Thesaurus Editora, 1990
■Umbanda - A Proto-síntese cósmica -
Epistemologia, Ética e Método da Escola
de Síntese, Yamunisiddha Arhaoiagha,
F. Riva Neto